sábado, 5 de fevereiro de 2011

Carta de Desligamento

Baseados nas experiências vividas na militância da tentativa de reconstrução da COB-AIT nós da Federação Operária de Goiás (FOGO) declaramos nosso desligamento devido a vários motivos, dentre eles:


1º – Não nos satisfaz a militância da organização, que se atém na maioria a panfletagens e colagens de cartazes, com textos carregados de um vanguardismo romântico que se afasta da realidade vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras.


2º – A organização se constitui de forma confusa, com questões que devido a essas confusões, acabam levando a contradições cruciais, como por exemplo é o caso das denominações “sindicalismo revolucionário” e “anarco-sindicalismo” que acabam sendo encaradas pela maioria dos filiados como iguais e levam a distanciamento dos trabalhadores que não possuem convicções anarquistas.


3º – Constatamos um sectarismo imenso dentre a maioria dos membros, devido a ligações culturais, no caso o punk, por rixas com outras culturas, o que acaba restringindo a organização em sua maioria a membros ligados ao punk, afastando mais ainda a organização da massa trabalhadora que não é ligada a essa cultura de rua.


4º - Ao nosso ver, a organização está sendo mantida para sustentar o ego de alguns filiados que agem com certo centralismo, de modo que várias federações e sindivários são reconhecidos sem ao menos ter uma força para, por enquanto, assumirem tal papel. O que nos parece é que esses vários reconhecimentos só acontecem para apresentar uma organização forte, mesmo não sendo.


5º – Presenciamos que a tomada das decisões nos congressos e plenárias são realizadas em formato de democracia representativa, em que os delegados de cada federação demonstram suas opiniões sem consultar a opinião dos demais membros da federação, oque não difere em nada a eleição partidária, da qual a COB diz se levantar contra.


6° - Notamos que existe uma falta de comunicação extrema entre todas as federações e sindivários, oque acaba atrasando bastante as tomadas de decisões em geral e diversas outras atividades que poderiam ser realizadas em conjunto entre tais federações e sindivários, além de causar confusões como a que tivemos com a plenária nacional, em questão de datas, lugar para estadia e demais coisas a serem planejadas com antecedência para se fazer uma viagem com tal finalidade.


7° - Não desmerecemos os atos da COB antes de sua desconstrução, mas a maneira pela qual a reconstrução está se desenvolvendo não condiz com os princípios do sindicalismo revolucionário pelos quais acreditamos e buscamos lutar.


Em detrimento desses e outros, declaramos que a Federação Operária de Goiás (FOGO) será dissolvida. Essa decisão foi tomada em consenso durante assembleia da federação.


Ps.:Não desconsideramos o esforço de alguns militantes da organização, mesmo que para nós as estratégias são equivocadas e não levarão a nada.

4 comentários:

Curioso Revolucionario disse...

SAUDAÇÕES À EX-FOGO - PARTE 1

Saudações ao companheiros da FOGO que romperam com o sectarismo da COB. A "Carta de Desligamento" demonstrou uma grande honestidade, tendo em vista que o principal motivo foi a falta de ligação da COB com as masss trabalhadoras.

Essa Carta expressou de maneira correta a ideologia pequeno-burguesa da COB, que, definitivamente, não possui nenhuma relevância no movimento operário brasileiro.

No entanto, tenho algumas críticas a fazer aos companheiros da "ex-FOGO". Faço essas críticas na esperança de abrir um bom campo de debate, onde possamos ver qual a melhor posição ao fim das discussões, e não com o objetivo de jogar para baixo ou esmagar os companheiros, nem muito menos de impor minha posição.

Creio que o principal ponto a debatermos é o Ponto 2 da Carta:


2º ? A organização se constitui de forma confusa, com questões que devido a essas confusões, acabam levando á contradições cruciais, como por exemplo, é o caso das denominações ?sindicalismo revolucionário? e ?anarco-sindicalismo? que acabam sendo encaradas pela maioria dos filiados como iguais e na nossa analise não são,A diferencia primordial a nosso ver é que sindicalismo revolucionário buscar uma unidade da classe trabalhadora ao não fazer nenhum recorte ideológico ,só um programa simples nos quais todos os trabalhadores se identifiquem e estão de acordo, enquanto o anarco-sindicalismo erroneamente tenta uma ??anarquização forçada da classe trabalhadora?? falando nos seus programas e estatutos de anarquismo,isso além de sectarizar a organização atraindo só trabalhadores libertário, mata o papel da organização especificamente anarquista,já que tudo é discutido na organização de massa é claro num nivelamento das discussões pra baixo pois não se pode nivelar pra cima devido que é uma organização é aberta e todos podem entrar,além de questões de fácil repressão pois como a organização é aberta é fácil desmantelar qualquer articulação da organização, a história ta ai pra mostra as falha da organizações anarco-sindicalista via a traição da CNT/FAI na guerra civil espanhola devido a falta de uma organização anarquista que desce suporte estratégico/logístico/militar pra saber o que fazer no processo revolucionário caiu na política ministerialista da frente de esquerda.


Esse ponto, ainda que de forma sintética, trata da concepção mesma que os companheiros tem da organização sindical e da organização anarquista. Ao tratar da diferença entre anarco-sindicalismo e sindicalismo revolucionário, provam o quanto é sectária a posição da COB de que das organizações sindicais apenas os anarquistas podem participar.

Contudo, ao fazer essa diferenciação, os companheiros incorrem em um grave erro: a subestimação das massas, que se expressa no campo político em um agudo economicismo e no campo político em um vanguardismo.

A origem desse problema é simples: achar que à massa cabe a luta econômica, e aos revolucionários, a luta política.

Curioso Revolucionario disse...

SAUDAÇÕES À EX-FOGO - PARTE 2

Ora, companheiros. Uma coisa devemos ter clara: as massas é que fazem a história, somente elas podem transformar. Somente partindo disso, poderemos compreender qual o verdadeiro papel das massas exploradas na Revolução.

Aos operários não está colocado apenas o papel de lutar por aumento salarial, melhores condições de trabalho etc. Da mesma maneira, aos camponeses não está colocada apenas a tarefa de lutar por terra. Muito menos aos estudantes apenas por mais vagas nas universidades, ensino de melhor qualidade etc.

Pelo contrário, devemos fazer propaganda da luta revolucionária, propaganda da violência revolucionária, da necessidade da derrubada violenta desse estado brasileiro podre e carcomido.

De nada adianta a propaganda e agitação em torno apenas das necessidades imediatas da massa, em torno apenas de suas reivindicações econômicas. Devemos, de maneira paciente, sistemática e persistente, mostrar que uma conquista qualquer sem a revolução pode ser retirada a qualquer momento pela burguesia.

Curioso Revolucionario disse...

SAUDAÇÕES À EX-FOGO - PARTE 3

Os companheiros escreveram ainda no Ponto 2 da Carta, em análise da Guerra Civil Espanhola sobre "a falta de uma organização anarquista que desce suporte estratégico/logístico/militar(...)".

Também aqui está expresso um vanguardismo que é prejudicial pro movimento revolucionário. Os companheiros ao juntaremos os aspectos estratégico, logístico e militar como tarefa exclusiva de uma organização anarquista, novamente subestimam a capacidade criadora e de combate das massas. Tanto no aspecto logístico quanto no militar não há porque restringir a participação aos revolucionários.

Ou os companheiros acham mesmo que apenas os anarquistas participarão da luta armada? Que as massas, diante da exploração intensa a que estão submetidas, não moverão uma palha para defender seus direitos, empunhando um fuzil? Os aspectos logísticos e militares devem ser apoiados e impulsionados pelas massas.

Bom, o texto tá ficando grande, e eu paro por aqui. Espero que os companheiros da ex-FOGO deêm uma lida e respondam o texto, para a partir dele ir debatendo mais. Repito, não pretendo impor minha opinião nem muito menos dizer que a FOGO está "entendendo tudo errado". Pelo contrário, parabenizo os companheiros pelo rompimento com a COB.

VIVA A REVOLUÇÃO BRASILEIRA!

Unknown disse...

apostar em revolucionários de bodoque
significa jogar os outros na fogueira para ganhar posições dentro do poder.
procure sua turma que o trabalhador não serve para bucha de canhão!