segunda-feira, 13 de setembro de 2010

23 anos de descaso com as vítimas do césio 137



Nesse dia 13 de Setembro completam-se 23 anos do “acidente” radioativo com o césio 137, que é considerado o pior “acidente” radiológico em área urbana da história. Dois catadores recolheram de um prédio abandonado (antigo hospital) a cápsula de uma máquina de raio x para vender o chumbo contido na peça. Parte da peça foi vendida para o dono de um ferro velho, e a outra parte, que o comprador disse ser inox e não valeria a pena vender, foi deixada com o dono do ferro velho. Ao observar a peça no escuro, o rapaz percebeu que saia um brilho azul quando colocada no escuro, e resolveu abrir a peça para descobrir o que havia dentro. Abrindo a peça ele encontrou um pó azul muito bonito, principalmente quando colocado no escuro, sem saber do que se tratava o rapaz expôs várias pessoas ao pó azul, que na verdade era um perigoso elemento radioativo, o césio 137. Quando foi descoberto o acidente, várias pessoas já haviam sido expostas ao elemento, o resultado foram 4 mortes iniciais, cerca de 60 mortes posteriores, mais de 600 vítimas contaminadas diretamente e reconhecidas pelo ministério publico, porém, segundo a associação das vítimas do césio 137, mais de 6 mil pessoas foram contaminadas.
As aspas colocadas na palavra “acidente” é porque nós da classe trabalhadora acreditamos que esse tipo de ocorrido não acontece por acaso, esse “acidente” ocorreu por uma falha da fiscalização da CNEM, órgão que deveria fiscalizar o destino das máquina de raio X, mas como não são os filhos e os parentes deles que 'fuçam' nos escambos de prédios abandonados para procurar materiais reciclados para vender, eles pouco se importaram com o destino do material, já que a máquina de raio X não estava mais funcionando, não importava o destino dado a máquina? E mais uma vez a bomba estourou nas mãos dos pobres, o acidente resultou mais de 60 mortos, e os que ficaram vivos estão sofrendo as consequências, lutando para tentar ganhar esmolas do governo do estado para conseguir sobreviver, além dos danos físicos, materiais, morais, e sentimentais, que não à dinheiro que pague.
Para nós da Federação Operária de Goiás, esse “acidente” é mais um prova de que o Estado e a classe dominante não dão a mínima para nós trabalhadores, não interessa se estamos morrendo, seja de fome ou de “acidentes” como esse ocorrido, porém estão presentes nos momentos de dor fazendo discursos cheios de demagogia e se aproveitando desses momentos, é por isso que precisamos nós organizar para lutar, lutar pelos nossos direitos, ser solidários com nossos irmãos da classe,
lutar contra nossos reais inimigos, aqueles que se aproveitam da nossa dor (causada por eles) para fazer discursos para alienar o povo.
Sejamos solidários com as vítimas do césio, desejamos os mais sinceros sentimentos as pessoas que perderam seus familiares e também as pessoas que sofreram e ainda sofrem até hoje por consequência do ocorrido!

Um comentário:

Fenix disse...

Eu era pequena, mas lembro muito bem da tragédia e da dor.

Ana Carolina Pendragon