sábado, 2 de janeiro de 2010

Entrevista com os camaradas do coletivo e banda Força Ingovernável


Segue a entrevista realizada com os camaradas do coletivo e banda Força Ingovernável, militantes da FOSP/COB/AIT.

01 - Como a banda surgiu?

A banda vem de varias formações, a primeira formação surgiu entre amigos que militavam na UMP (União do Movimento Punk) e com alguns que não militavam.
Foi se articulando e montando a banda, alguns integrantes foram entrando depois de a banda já estar estruturada.
Atualmente o Rodrigo é o mais antigo e único que está na força desde a primeira formação, que não tinha muito a ver com a ideia de propagação de hoje.

02 - Quais são os materiais lançados até hoje?

Bom, essa questão é bem delicada por que devemos muito aos camaradas, os materiais que temos são de formações antigas e que não tinham muito a ver com a ideia da banda hoje em dia. São materiais muito ruins e mal gravados, temos o cd 1 com a primeira formação, e depois com outra formação gravamos para uma coletânea da FOSP três músicas, essa gravação ficou pior que a primeira.

03 - Como se dá a participação dos integrantes no meio político?

Somos todos militantes do sindicalismo revolucionário, é uma exigência nossa já que somos uma banda anarco-sindicalista. Militamos na FOSP/COB/AIT, em seções diferentes.
Além da militância sindical revolucionária, levantamos a bandeira do MLB(Movimento Libertário Brasileiro), que muita gente diz não existir e que é uma coisa inventada da FOSP, lamentamos a falta de informação e ignorância das pessoas que falam isso, pois não conhecem a historia do anarquismo no Brasil.
Enfrentamos muito pré-conceito de alguns "anarquistas", os mesmos nos comparam como militantes do sindicalismo amarelo reformista, são desconhecedores do sindicalismo assim como do anarquismo, falam de coisas que menos entendem e isso é muito ruim.
Acho que os mesmos que nos criticam nunca pegaram uma letra nossa para ler o que falamos em nossas canções.

04 - Atualmente, uma questão bastante levantada no meio anarcopunk é a união entre anarcopunks e skins anarquistas (RASH's). Qual é a opinião de vocês a respeito dessa união?

Primeiro que RASH é uma união de skins marxistas/bolchevistas com "anarquistas", daí perguntamos, como pode um anarquista militante ter união com marxista? É água e óleo, não tem mistura.
Depois vem a questão do skin no Brasil, o que se vê atualmente é tudo baseado na Europa. Por aqui a coisa é diferente, por que aqui começou diferente, tipo, na Europa, oi! é musica, aqui no Brasil é careca. Daí do nada apareceu pessoas que se dizem oi! anarquista? Complicado.
Entendemos que, o que se vê atualmente é uma maré de pagança de pau apenas, tem especulador que fala em movimento, damos risada disso, pois os mesmos são muito infantis e acham que as coisas se dão dessa maneira.
É lamentável em ver hoje em dia os punks juntos com skin, mais isso só prova que esses "punks" não se importam com questões políticas, para eles é muito fácil andar com skins, por que não são contestadores de nada, são apenas modistas roqueiros ou seguidores de tendências, o que torna o punk cada vez mais morto do que nunca, deixando o legado de que punk seja som, rebiti e cabelo pintado.
Particularmente achamos a cultua skin negativa no meio libertário, por que é da cultura skin o uso da violência, o nacionalismo, a intolerância, e são questões que batem de frente com os princípios anarquistas. Se lá fora dá certo, e têm skins realmente anarquistas e militantes, é outra coisa.
Aqui não é lá, não sobrevivemos lá, a nossa realidade é aqui. Se lá ocorre isso, não quer dizer que aqui também tem que acontecer.
Atualmente somos uma das poucas bandas anti-oi! de São Paulo e até do Brasil. Quase todo mundo agora anda junto com skin, toca junto.
Lamentamos, e geralmente não participamos de sons punks. Primeiro, porque achamos o punk atual muito apático e ignorante, tem informação mais não quer se informar, salvos algumas pessoas, claro, e segundo porque atualmente aonde se vai tem o modismo skin e seus jargões estampados pra tudo que é lado, antifa ou antifascista, porém os mesmos garotos que falam e estampam isso não sabem o que é fascismo, tão pouco antifascismo.

05 - Qual é a posição dos integrantes em relação ao vegetarianismo/veganismo?

Questão pessoal. Na banda existem vegetarianos de um bom tempo, assim como carnívoros, e o respeito é bilateral.
Não levantamos o vegetarianismo como bandeira de luta, mais sim como uma questão pessoal, uma forma melhor de viver mais saudável assim como o naturismo, apoiamos a questão mais não queremos formar opinião de ninguém em relação a isso.

06 - O que vocês pensam sobre o movimento anarquista no Brasil em relação aos outros países? Existe uma boa aproximação ou deveriam estar mais próximos?

O MLB (Movimento Libertário Brasileiro) está em fase de reconstrução, assim como a COB (Confederação Operária Brasileira).
Fomos muito feridos pela ditadura, e essa nos levou boa parte de nossos materiais assim como imóveis, acabou com organizações jornais e etc. Matou muitos camaradas, e hoje em dia o movimento é de praticamente jovens, devido à ditadura, e boa parte desses jovens são enganados ou bebem de fontes que rompem com os princípios anarquistas.
Já em paises na Europa, por exemplo, se tem um grande número de anarquistas, e muitos anarquistas mais velhos e de princípio, existem até comunidades anarquistas rurais.
Achamos que precisamos estreitar os nossos laços e tornar o movimento do Brasil federado a IFA (Federação Anarquista Internacional). O primeiro passo foi dado aqui em São Paulo, com a fundação do CRA (Comitê de Relações Anarquistas), já com a finalidade de aproximar os grupos do Brasil inteiro, até que possamos organizadamente desenvolver uma verdadeira federação de anarquistas.

07 - Para terminar, falem um pouco sobre os projetos futuros da banda ou alguma outra coisa que queiram colocar que não foi dito nas respostas.

Não temos muitos projetos, pensamos apenas em caminhar com nossa luta.
Na verdade, utilizamos a música como ferramenta e propaganda de luta. Entendemos que a música desperta sentimentos com algo que se identifique, e tentamos chegar ao máximo nesse sentimento nas pessoas que ouvem.
Queremos deixar claro que não nos assumimos apenas como banda, e sim como um coletivo. Temos nossos meio de propaganda e agitação desse coletivo, que é a força, e a música é como se fosse uma ferramenta de propaganda e agitação desse coletivo.
Estamos para gravar finalmente e esperamos que no início de 2010 nosso material de áudio esteja circulando junto com nossos zines.
Pretendemos organizar atividades para ajudar a COB e nessa luta fazer o que gostamos mais de fazer, que é falar/tocar diretamente para classe trabalhadora.
Grande abraço revolucionário a tod@s camaradas.

Para contatos com os camaradas da banda: auroraobrera@yahoo.com.br

A entrevista foi respondida pelo companheiro Rodrigo, que compõe a força, em consenso com os demais integrantes.

Um comentário:

darlan subpunx disse...

me passa um site onde eu possa baixar o cd?