sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Nota em solidariedade ao povo haitiano.

A ocupação do Haiti começou à partir do ano de 2004. Com a desculpa de “missão de paz” a ONU aprovou essa ocupação e o governo brasileiro visando uma posição definitiva no conselho da ONU atendeu prontamente as ordens e enviou várias tropas para a ocupação. A chamada “missão de paz” não passa de missão de repressão ao povo haitiano que saiu as ruas em protesto contra o golpe aplicado ao presidente Jean-Bertrand Aristide, que foi sequestrado por um comando militar estadunidense, e levado ao exílio na República Centro-Africana.
Desde o início da ocupação vários ataques foram feitos ao povo, matando e ferindo várias pessoas. Os “salvadores” do Haiti também agem estuprando meninas e mulheres batem e torturam os jovens, isso de acordo com investigações realizadas pela própria ONU.
Como se já não bastassem todas essas atrocidades cometidas pelos “salvadores” da “missão de paz”, após uma onda de terremotos que causaram grandes danos ao Haiti, a ONU (com o imperialismo estadunidense no comando) não perde a oportunidade de manter a repressão ao povo haitiano, mesmo frente a essas catástrofes naturais que aconteceram.
Com a desculpa de reconstrução do país, a ONU agora ordena que sejam enviadas mais tropas para o Haiti, alegando estar repondo as tropas que foram devastadas com os terremotos, e grande parte dessas novas tropas serão enviadas pelo Brasil.
Está mais do que na hora disso parar. O Haiti não está precisando de mais repressão e sim de solidariedade para que se inicie a reconstrução.

CHEGA DE REPRESSÃO!
TIREM SUAS MÃOS DE CIMA DO HAITI!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Dez princípios do anarquismo

Autonomia:

Esta é a condição indispensável para obter-se a liberdade individual/colectiva. Significa o respeito às decisões, vontades, e opiniões do indivíduo em relação ao grupo e vice-versa. Por exemplo, caso um grupo decida em prol de determinada acção, os membros discordantes não ficam obrigados a participar da mesma. Para isso não devem haver relações de dependência que impeçam as pessoas de se posicionarem livremente.

Apoio Mútuo:

É a ajuda entre seres de uma organização social onde as partes interagem, auxiliando-se e fortalecendo-se. Tal prática não permite disputas, que são fundamentadas no princípio irracional de superioridade entre seres, sendo destrutivas para o convívio humano. Nossa proposta é somar forças para alcançar uma melhor qualidade de vida para todos.

Autogestão:

Autogestão é por princípio, a comunidade cuidando directamente, de seus próprios deveres e interesses. Para que ela aconteça terá de haver ampla liberdade de organização sem leis cerceantes e hierarquias. Por este simples fatos os partidos e legisladores tornam-se desnecessários. Afinal se as pessoas tomam para si as responsabilidades de gestão das suas vidas, os representantes profissionais e demais poderes são completamente inúteis.

Internacionalismo:

Não deveriam existir fronteiras. Não deveriam existir nacionalidades. Patriotismo é um sentimento mesquinho e egoísta que só faz acontecer guerras inúteis e acirrar a raiva entre os povos. A luta pela liberdade passa pela derrubada do capital, que explora e oprime em todo o globo. Ao invés do estado nação, defendemos a autodeterminação dos povos. Somos internacionalistas pois nossa acção revolucionária acontece em todos os lugares do planeta.

Antimilitarismo:

Dentro da instituição militar impera o autoritarismo a partir de um complexo esquema de hierarquia de poder. Qualquer tipo de autoritarismo é inválido ! Por que um é melhor que o outro ? Porque é mais velho ? Porque tem mais medalhas no peito ? Todos são iguais! Uns podem deter mais experiência, pois então que a passe para os outros! O respeito virá naturalmente! Criar um sistema hierárquico por via de medalhas e impô-lo a todos é artificial!

Acção Directa:

A acção directa é o princípio onde você faz e decide directamente tudo que lhe diz respeito, em oposição a ideia de representação. O indivíduo por ser único é impossível de ser representado. Quando os movimentos sociais passam a agir e não somente a reagir ao sistema, pacífica ou violentamente, faz-se acção directa, a maturidade de uma organização, a essência da actuação libertária e a única maneira de trilhar um caminho contínuo para a revolução social.

Autodefesa:

Um princípio libertário que propõe a defesa do indivíduo e/ou colectivo, para garantir sua sobrevivência contra as forças opressoras da reacção. Temos de nos defender do sistema e derrubá-lo, a liberdade não é negociada, mas sim conquistada. Não se pode "confiar na polícia" e muito menos fazer-nos de vítimas indefesas do sistema. A característica da luta acrata é a ética e dignidade, "é melhor morrer de pé do que viver de joelhos"; a autodefesa acompanha toda a actuação anarquista.

Viver a Vida:

Fazer a sua parte não é encarar o mundo sob uma visão pessimista. Mesmo sabendo que o mundo é cruel, temos de saber que não podemos mudá-lo de uma hora para a outra. Por isso, antes de desistir, desacreditar-se, dar um tiro na cabeça ou tomar qualquer outra atitude assassina-suicida, é necessário encarar a realidade, sabendo que, com pequenas atitudes e esforços, conseguimos mudar a cena.

Individualismo:

Individualismo não é, como a maioria faz crer, uma forma de egoísmo, e sim uma valorização do indivíduo, do individual. Um individualista é único, acopiável, livre e incensurável. "Até onde começa a liberdade do próximo." Todos somo únicos. Até o mais alienado dos humanos tem uma qualidade, uma peculiaridade a mais ou a menos pelo menos. Tais qualidades não significam que há melhores ou piores, e sim que somos todos diferentes, únicos. Massificar, exigir de todos o mesmo comportamento e rendimento, é um atentado à vida, tão vil quanto julgar-se individualista pelo cruel ato de pensar no seu próprio umbigo apenas, mesmo que, para isso, tenha de atropelar, pisar, esmagar e ignorar aos demais.

Apartidarismo:

Eleições criam ilusões e desviam energias da luta directa contra o estado e o capital, deixando desarmados os trabalhadores. Portanto não será elegendo um operário, um democrata ou um socialista que sairemos desse pesadelo. Aqui e agora, no seu bairro, no seu local de trabalho, na sua família, na sua escola. Lutando junto aos seus companheiros pela liberdade e para romper as estruturas autoritárias da sociedade, devemos lutar para quotidianizar a revolução e revolucionar o quotidiano

sábado, 2 de janeiro de 2010

Sindicato Revolucionário ou Anarco-sindicalista*

Sindicatos formados a partir das doutrinas aprovadas no congresso realizados pela Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT).
O sindicalismo revolucionário ganhou foros de idéia universal firmado na solidariedade humana, independente de sexo, raças,cores,crenças,religiosas,nacionalidade a partir do primeiro Congresso da AIT,tornando-se ao mesmo tempo uma doutrina e um método de luta. Como doutrina parte do elemento humano,célula componente da sociedade.Dentro deste prisma,prevê,em suas múltiplas funções,a educação social,a intrusão racionalista,a disseminação de cultura ampla,livre e a preparação do homem para que este possa revelar e desenvolver todas as suas potencialidades artísticas,técnicas e científicas em ordem crescentes,evolutivas,de modo que o indivíduo adquira todos conhecimentos indispensáveis a boa formação,física,psíquica,ambiental,embasada pela liberdade plena,responsável,pela solidariedade,pelo apoio e ajuda mútua.
Dentro da concepção sindicalista, revolucionária um homem vale um homem e a felicidade ou infelicidade de cada componente da Nova Sociedade, corresponde igualmente a felicidade ou infelicidade de todos e de cada um. O indivíduo -dentro do sindicalismo revolucionário- é a coisa mais importante a desenvolver e a preservar, É um atleta sempre em busca de aperfeiçoamento.
Para além das reivindicações econômicas os sindicalistas almejam a constituição de uma nova sociedade de irmãos dentro do harmônico e integral desenvolvimento das inúmeras energias a necessidades afetivas, intelectuais e sociais, começando pela educação da criança, seguindo com os adolescentes e alcançando plenamente o adulto,com vista a erradicar os atavismos deformadores do caráter do homem.Objetivam dessa forma impedir também,pela educação racionalista o domínio do mais forte,mais inteligente e/ou mais audacioso,sobre o mais fraco,menos favorecido por seu QI e pela sua audácia.
Com seu corpo de doutrina, o sindicalismo pretender ligar os homens emocionalmente pelo coração e pelo cérebro, associá-los voluntariamente, Por interesses comuns.
Os mais importante componentes educacionais, dentro deste prisma, são exercícios da liberdade plena,de responsabilidade e igualdade social.Só um homem capaz de movimentar os braços e o cérebro sem líderes ou tutores estará em condições de proporcionar a felicidade humana,de criar um Mundo Novo.
Em seus métodos de luta, o sindicalismo revolucionário prevê anulação das leis,do capitalismo, do Estado!
Sua força reside no conjunto de agrupamento voluntário. ligados voluntariamente em função das igualdade social,dispostos a eliminar- através da ação direta,os males as sociedade burguesa, e como realização prática e experimental -porque tudo é permanente evolutivo, apoiando em leis científicas, sociológicas e psicológicas- pretende criar organismos captadores de energias capazes de produzir o pleno desenvolvimento da justiça social, e pelo trabalho livre, associado, capacidade para formar uma nova sociedade onde todos os seres humanos, independente de idade, sexo, e/ou cor, possam conviver pacificamente, produzir de acordo com suas capacidades e possibilidades e usufruir de conformidade com suas necessidades, tanta as riquezas naturais como as provenientes de todos e de cada um.

*Retirado da obra "O ABC do Sindicalismo", de autoria do saudoso camarada Edgar Rodrigues.

Entrevista com os camaradas do coletivo e banda Força Ingovernável


Segue a entrevista realizada com os camaradas do coletivo e banda Força Ingovernável, militantes da FOSP/COB/AIT.

01 - Como a banda surgiu?

A banda vem de varias formações, a primeira formação surgiu entre amigos que militavam na UMP (União do Movimento Punk) e com alguns que não militavam.
Foi se articulando e montando a banda, alguns integrantes foram entrando depois de a banda já estar estruturada.
Atualmente o Rodrigo é o mais antigo e único que está na força desde a primeira formação, que não tinha muito a ver com a ideia de propagação de hoje.

02 - Quais são os materiais lançados até hoje?

Bom, essa questão é bem delicada por que devemos muito aos camaradas, os materiais que temos são de formações antigas e que não tinham muito a ver com a ideia da banda hoje em dia. São materiais muito ruins e mal gravados, temos o cd 1 com a primeira formação, e depois com outra formação gravamos para uma coletânea da FOSP três músicas, essa gravação ficou pior que a primeira.

03 - Como se dá a participação dos integrantes no meio político?

Somos todos militantes do sindicalismo revolucionário, é uma exigência nossa já que somos uma banda anarco-sindicalista. Militamos na FOSP/COB/AIT, em seções diferentes.
Além da militância sindical revolucionária, levantamos a bandeira do MLB(Movimento Libertário Brasileiro), que muita gente diz não existir e que é uma coisa inventada da FOSP, lamentamos a falta de informação e ignorância das pessoas que falam isso, pois não conhecem a historia do anarquismo no Brasil.
Enfrentamos muito pré-conceito de alguns "anarquistas", os mesmos nos comparam como militantes do sindicalismo amarelo reformista, são desconhecedores do sindicalismo assim como do anarquismo, falam de coisas que menos entendem e isso é muito ruim.
Acho que os mesmos que nos criticam nunca pegaram uma letra nossa para ler o que falamos em nossas canções.

04 - Atualmente, uma questão bastante levantada no meio anarcopunk é a união entre anarcopunks e skins anarquistas (RASH's). Qual é a opinião de vocês a respeito dessa união?

Primeiro que RASH é uma união de skins marxistas/bolchevistas com "anarquistas", daí perguntamos, como pode um anarquista militante ter união com marxista? É água e óleo, não tem mistura.
Depois vem a questão do skin no Brasil, o que se vê atualmente é tudo baseado na Europa. Por aqui a coisa é diferente, por que aqui começou diferente, tipo, na Europa, oi! é musica, aqui no Brasil é careca. Daí do nada apareceu pessoas que se dizem oi! anarquista? Complicado.
Entendemos que, o que se vê atualmente é uma maré de pagança de pau apenas, tem especulador que fala em movimento, damos risada disso, pois os mesmos são muito infantis e acham que as coisas se dão dessa maneira.
É lamentável em ver hoje em dia os punks juntos com skin, mais isso só prova que esses "punks" não se importam com questões políticas, para eles é muito fácil andar com skins, por que não são contestadores de nada, são apenas modistas roqueiros ou seguidores de tendências, o que torna o punk cada vez mais morto do que nunca, deixando o legado de que punk seja som, rebiti e cabelo pintado.
Particularmente achamos a cultua skin negativa no meio libertário, por que é da cultura skin o uso da violência, o nacionalismo, a intolerância, e são questões que batem de frente com os princípios anarquistas. Se lá fora dá certo, e têm skins realmente anarquistas e militantes, é outra coisa.
Aqui não é lá, não sobrevivemos lá, a nossa realidade é aqui. Se lá ocorre isso, não quer dizer que aqui também tem que acontecer.
Atualmente somos uma das poucas bandas anti-oi! de São Paulo e até do Brasil. Quase todo mundo agora anda junto com skin, toca junto.
Lamentamos, e geralmente não participamos de sons punks. Primeiro, porque achamos o punk atual muito apático e ignorante, tem informação mais não quer se informar, salvos algumas pessoas, claro, e segundo porque atualmente aonde se vai tem o modismo skin e seus jargões estampados pra tudo que é lado, antifa ou antifascista, porém os mesmos garotos que falam e estampam isso não sabem o que é fascismo, tão pouco antifascismo.

05 - Qual é a posição dos integrantes em relação ao vegetarianismo/veganismo?

Questão pessoal. Na banda existem vegetarianos de um bom tempo, assim como carnívoros, e o respeito é bilateral.
Não levantamos o vegetarianismo como bandeira de luta, mais sim como uma questão pessoal, uma forma melhor de viver mais saudável assim como o naturismo, apoiamos a questão mais não queremos formar opinião de ninguém em relação a isso.

06 - O que vocês pensam sobre o movimento anarquista no Brasil em relação aos outros países? Existe uma boa aproximação ou deveriam estar mais próximos?

O MLB (Movimento Libertário Brasileiro) está em fase de reconstrução, assim como a COB (Confederação Operária Brasileira).
Fomos muito feridos pela ditadura, e essa nos levou boa parte de nossos materiais assim como imóveis, acabou com organizações jornais e etc. Matou muitos camaradas, e hoje em dia o movimento é de praticamente jovens, devido à ditadura, e boa parte desses jovens são enganados ou bebem de fontes que rompem com os princípios anarquistas.
Já em paises na Europa, por exemplo, se tem um grande número de anarquistas, e muitos anarquistas mais velhos e de princípio, existem até comunidades anarquistas rurais.
Achamos que precisamos estreitar os nossos laços e tornar o movimento do Brasil federado a IFA (Federação Anarquista Internacional). O primeiro passo foi dado aqui em São Paulo, com a fundação do CRA (Comitê de Relações Anarquistas), já com a finalidade de aproximar os grupos do Brasil inteiro, até que possamos organizadamente desenvolver uma verdadeira federação de anarquistas.

07 - Para terminar, falem um pouco sobre os projetos futuros da banda ou alguma outra coisa que queiram colocar que não foi dito nas respostas.

Não temos muitos projetos, pensamos apenas em caminhar com nossa luta.
Na verdade, utilizamos a música como ferramenta e propaganda de luta. Entendemos que a música desperta sentimentos com algo que se identifique, e tentamos chegar ao máximo nesse sentimento nas pessoas que ouvem.
Queremos deixar claro que não nos assumimos apenas como banda, e sim como um coletivo. Temos nossos meio de propaganda e agitação desse coletivo, que é a força, e a música é como se fosse uma ferramenta de propaganda e agitação desse coletivo.
Estamos para gravar finalmente e esperamos que no início de 2010 nosso material de áudio esteja circulando junto com nossos zines.
Pretendemos organizar atividades para ajudar a COB e nessa luta fazer o que gostamos mais de fazer, que é falar/tocar diretamente para classe trabalhadora.
Grande abraço revolucionário a tod@s camaradas.

Para contatos com os camaradas da banda: auroraobrera@yahoo.com.br

A entrevista foi respondida pelo companheiro Rodrigo, que compõe a força, em consenso com os demais integrantes.