sábado, 15 de novembro de 2008

O que é a COB-AIT e o que queremos

O movimento pela Reativação da Confederação Operária Brasileira COB/AIT
é uma organização de trabalhadores inspirados nos exemplos de luta e
determinação dos fundadores da COB em 1906. Nossa forma de organização é
assembléia, todas as nossas decisões são tiradas em reuniões abertas
aos ativistas e militantes. Não temos dirigentes, nem líderes, as
pessoas participam voluntariamente de comissões/grupos (que levam as
bandeiras de lutas) tiradas nas assembléias/reuniões, e assim
encaminhamos nossas atividades.
Dentro desse mesmo espírito nos organizamos na AIT e, em
todo o mundo propagamos o crescimento de Confederações,
Federações, Sindicatos, organizados pela base nos locais de
trabalho, moradia e estudo, através de Seções Sindicais
autônomas frente ao Estado; aos patrões; as igrejas, a todo
tipo de discriminação e sexismo; e aos partidos políticos,
como única forma de unificação e organização dos
trabalhadores. Para constituir uma Seção não é preciso uma
eleição, basta ser convocada uma assembléia com @s
trabalhadores de uma determinada Empresa, Bairro, Vila ou
Escola. A assembléia então aponta um(a)(s) porta-voz(es)
para ser o delegado sindical da Seção. Essa indicação não
atribui privilégios ao(s) indicado, se mantendo em condição
igual a dos outros trabalhadores, unicamente com a tarefa de
transmitir as decisões tomadas pela assembléia, e ainda
assim são destituíveis a qualquer momento pela própria
assembléia. Por isso também somos contra os sindicatos
atrelados ao Estado e aos partidos (imposto sindical), pois
são eles que determinam os problemas dos trabalhadores,
transformando as assembléias em circo e de trampolim para o
Poder. Defendemos a AUTOGESTÃO SINDICAL, que é a
administração direta pelos trabalhadores. A COB-AIT não quer
e não aceita a intervenção nem do Estado, nem da empresas.
Essa independência política e econômica nos dá ampla
liberdade de ação. Praticamos a SOLIDARIEDADE e o APOIO
MÚTUO entre trabalhadores/as de distintos ramos
profissionais, independente de fronteiras locais ou
nacionais, por entendermos que essa é a arma mais poderosa,
aumentando a força através da união da classe trabalhadora
para defender nossos direitos, que tantos sacrifícios e
mortes custaram arrancar durante séculos de luta da classe
trabalhadora. Isso é o sindicalismo revolucionário
(anarkosindicalismo), organização e prática histórica de uma
sociedade sem classes (o anarquismo), e o eixo de liberdade
onde cabem todos os trabalhadores.
SÓS NÃO PODEMOS, DE TI TAMBÉM DEPENDE A MUDANÇA!
A UNIÃO FAZ A FORÇA E O SINDICATO É A TUA ÚNICA DEFESA
VAMOS CONSTRUIR JUNTOS
ASSOCIA-TE A COB-AIT E LUTE!

Carta de Princípios Núcleo Pró COB/ AIT Goiás

O antagonismo de interesses presente na existência e perpetuação da sociedade de classes se faz na principal causa da maleficência em que se encontra os trabalhadores em âmbito geral no planeta. Os valores atualmente dominantes que desde tempos longínquos têm como primórdios, a acumulação de capital, e a concentração deste, o que vem se aprimorando mais e mais através dos últimos séculos com a perpetuação da burguesia e consequentemente de seu modo de vida. Neste processo de usurpação burguesa do capital, dos valores, e da aglutinação do poder em suas mãos tirânicas, colocam o trabalhador aprisionado em grilhões de submissão.

A submissão que aqui tratamos do trabalhador aos propósitos burgueses, deixa o primeiro em uma situação de extrema degradação, penúria, e de alto-flagelo. Para agravar ainda mais tal injustiça, todo capital expropriado, resultante da constante e contínua exploração de todo o proletariado, e de forma mais enfática no operariado, serve para alimentar e perpetuar as mazelas dos poucos indivíduos que vivem da desgraça e do martírio de outros indivíduos. O que atenta contra todo tipo de direito do homem, entre eles o da dignidade que em nossa época atual encontra-se dilacerado, mutilado, martirizado.

Levando em consideração as inúmeras instituições que tem como principal foco a manutenção de tal sistema putrefato, e a perpetuação de toda a corja de capitalistas, que tem como ponto central o Estado, juntamente com as suas instituições sobressalentes, que criam um ciclo vicioso, onde o povo é minado, e ainda onde legitimam-se pela organização estatal oportunamente criado para atender aos propósitos da classe minoritária que detém o capital.

O choque linear entre os interesses da classe dominante (burguesia), e do proletariado, é a base fundamental de todo processo da luta de classes. Desta luta que é travada circunstancialmente em todo parte e momento em nossa sociedade, é que o proletariado deve se sobressair, para se desvencilhar da lógica da dominação, e da acumulação de capital promovida incessantemente pela classe burguesa.

A maneira de se fazer tal virada é a organização de todo proletariado, não em de uma forma centralizadora que notoriamente acaba se desvirtuando de sua causa, também não de acordo com os métodos de toda a legião de reformistas, mas sim de uma maneira racional, consciente, tendo como lema a práxis básica da ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES: “A emancipação dos trabalhadores há de ser obra dos próprios trabalhadores”.

Para que possamos efetivamente aplicar este sublime lema acima apresentado, é estritamente necessário o fazer de pleno acordo para com os princípios do anarcosindicalismo. Portanto, o total repúdio a todo partido político, e toda organização de cunho partidário-burocrático, derivadas ou não dos partidos políticos atuais para nós é um fato. Também desacreditamos todo tipo de procedimento, organização, sindicato ou para-organização que tome postura centralizadora e condescendente com o regime capitalista, pois tal condescendência representa um contra-senso em relação a toda e qualquer atividade revolucionaria de emancipação do trabalhador. A existências de organizações do tipo se fazem em um total ultraje às bases do sindicalismo revolucionário. Em contraposição a tais repugnantes organizações, e para metodologicamente aplicarmos nossos objetivos, favorecemos a Ação Direta em seus últimos patamares, desprendida de todo e qualquer valor moral provindo do modo de vida burguês.

Para efetivarmos em prática o acima descrito, é de toda importância que o trabalhador - que é o elo com maior perspectiva para promover uma virada tanto econômica quanto social – adquira de forma clara e abrangente o anarquismo, em todos seus aspectos, tais como, os preceitos do sindicalismo revolucionário, a tática anarquista, a desconsideração do Estado, e toda e qualquer instituição que com este tenha afinidade e consonância, assim como da dependência servil que esta instituição põe a todos, abster-se de toda e qualquer iniciativa paternalista, relativista, e de caráter paliativo, que servem apenas para submeter o povo ainda mais à dominação burguesa.

Tendo em vista todos os preceitos explicitados e também ampliar a retomada dos organismos de caráter revolucionário provindos dos trabalhadores, reorganizando-a, lançamos a este momento na classe trabalhadora, e em prol da classe trabalhadora, nossa proposição para um modo organizacional mais racional e indubitavelmente mais igualitário.

Então desde já nos denominamos, identificamos, e publicamente nos difundiremos como Núcleo Pró-Cob/Ait Goiás, em todos os âmbitos aos quais fizermos presentes.

Manifesto em Repúdio ao Trabalho Escravo!!!

É recentemente que vimos em Goiás novamente a absurda situação de manutenção de trabalho explicitamente escravo, no meio rural, em fazendas de latifundiários, exploradores do povo.

Ultimamente vem sendo divulgado o que já é fato há muito tempo não só no estado como em todo Brasil, o triste fato de que o trabalho escravo em todas as suas formas é largamente utilizado pelos “magnatas da terra” como meio de dominar o trabalhador, não só economicamente, socialmente, culturalmente, e materialmente, mas também lhe retirando a pouca liberdade que lhe resta, e assim destroçando a sua dignidade.

Somente neste ano mais quase 900 trabalhadores foram encontrados em condições de escravidão apenas em 2008. A se julgar pela condescendência, e complacência que os governantes burocratas e os patrões, que os sustentam, devemos supor sem medo de errar que este número é muito maior, estando ocultos pelos interiores a fora.

As condições são mais que precárias: falta de acomodações; lugar inapropriado para a alimentação, tendo os trabalhadores que fazer suas refeições ao relento e ainda comer alimentos que estavam impróprios para o consumo por não haver lugar para acomodá-los; jornada de trabalho flagelante, que pode passar facilmente de 15 horas diárias. Ainda é de se destacar a presença de armazéns e supermercados mantidos pelos latifundiários, onde se cobram preços extremamente altos, onde se obriga os trabalhadores da fazenda a comprarem exclusivamente nesses estabelecimentos, e ainda com os baixíssimos salários pagos, fazem com que o trabalhador se encontre em permanente dívida com o patrão, no caso o grande proprietário de terras, tornando-o um escravo. Situação muito semelhante a vivida pelos primeiros imigrantes vindos para trabalhar nas lavouras de café no século 19.

Não podemos deixar de pronunciar-mos a respeito do cinismo do ministério do trabalho dizendo que combate o trabalho de escravidão, sendo que este ultimo está concentrado nos canaviais, que sustentam a indústria do álcool e do açúcar, nas carvoarias, que dão combustível as grandes indústrias de gêneros, que mantém-se dominando e sugando o povo pela exploração e pela repressão exercida pelo Estado que por sua vez é a fonte do ministério do trabalho.

Também repudiamos os sindicatos pelegos (CUT, Conlutas, etc), que claramente não se preocupam com os trabalhadores rurais, e de pouca instrução. Por certo que estes trabalhadores por não poderem lhes alavancar para posições dentro do cenário governamental, para eles não existem.

Para os todos os trabalhadores que arriscaram suas vidas e até mesmo as perderam para fugir das fazendas e do trabalho escravo, e gritar a todos a sua situação e de seus companheiros, aqui dedicamos nosso apoio e solidariedade.

sábado, 1 de novembro de 2008

TUDO MUDA - NA VIDA FÍSICA
E NA VIDA SOCIAL!

Tudo muda, tudo é móvel no Universo, porque o movimento é a condição mesma da vida.
Outrora, os homens, que o isolamento, o ódio e o medo deixavam na sua ignorância nativa, enchendo-os do sentimento de sua própria fraqueza, só o imutável e o eterno viam em redor.
Para eles, o céu era uma abóbada sólida, um firmamento no qual estavam pregadas as estrelas. A Terra era o firme alicerce dos céus e só um milagre podia fazer oscilar sua superfície. Mas, desde que a civilização prendeu os povos aos povos, numa mesma humanidade; desde que a história atou os séculos aos séculos; desde que a astronomia, a Geologia fizeram mergulhar o olhar em bilhões de anos para trás — o homem deixou de ser isolado e, por assim dizer, de ser mortal. Tornou-se a consciência do imperecível Universo.
Não relacionando já a vida dos astros nem a da Terra com sua própria existência tão fugitiva, mas comparando-a com a duração da raça inteira, e com a de todos os seres que antes dele viveram, viu a abóbada celeste revolver-se num espaço infinito e a Terra transformar-se num globozinho girando no meio da Via Láctea.
A terra firme, que ele pisa aos pés e que julgava imutável, anima-se e agita-se. As montanhas levantam-se a abaixam-se. Não são somente os ventos e as correntes oceânicas que circulam em roda do planeta, os próprios continentes deslocam-se com os seus cumes e vales, põem-se a caminhar sobre a redondeza do globo.
Para explicar todos esses fenômenos geológicos,já não há necessidade de imaginar súbitas mudanças do eixo terrestre, abaixamentos gigantescos. De ordinário, não é dessa forma que procede a Natureza; é mais calma nas suas obras, modera a sua força e as mais grandiosas transformações fazem-se sem o conhecimento dos seres que ela sustenta. Eleva as montanhas e enxuga os mares sem perturbar o vôo de um mosquito.
Certa revolução que parece a queda dum raio levou milhares de séculos a completar-se. E que o tempo pertence à Terra: renova, todos os anos, sem se apressar, o seu adorno de folhas e flores; do mesmo modo, remoça no decorrer das idades, os seus continentes pela sua superfície.

ELISÉE RECLUS

Luta do Trabalhador contra o Trabalho Excessivo

Já existiu o tempo em que os trabalhadores se degradavam, flagelavam-se em jornadas de trabalho que chegavam a 16 horas, ou até mesmo mais do que isso (isso sem contar que era muito comum crianças e idosos freqüentando tais ambientes degradantes. Esta situação de extrema exploração, do trabalhador, a pessoa humilde, sincera, e sagaz continuou fervorosamente até meados 19.
A luta contra tal situação de exploração ao trabalhador começou a se reverter com a criação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que em seu primeiro congresso afirmou: “A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO É O PRIMEIRO PASSO PARA A EMANCIPAÇÃO OPERÁRIA”. Nesta época foi elaborada a meta da redução da jornada laborial para 8 horas diárias, ou 40 horas semanais, que nos dias atuais são vigentes. No dia 1º de maio de 1886, se realizou a conquista definitiva de tal condição.
No Brasil, a luta pelas 8 horas diárias de trabalho iniciou-se com a criação da Confederação Operária Brasileira (COB), em 1906, assim reunindo trabalhadores de todo tipo de atividade, culminando nas Greves Gerais Revolucionárias de 1917 à 1919, conseguindo alcançar o alvo de sua luta.
Evidentemente que o grau de exploração sofrido pelos trabalhadores aumentou bastante, por vários métodos utilizados pelos patrões como, a imposição do aumento de produtividade sem ganho extra ao empregado, a criação da “hora extra” de trabalho, ultimamente a terceirização, etc. É sempre válido lembrar que quem sofre com tais medidas são os que trabalham e que precisam sujeitar-se a tal situação. Se você trabalha, está sofrendo diretamente os efeitos da expropriação de sua força de trabalho, se não trabalha pode sentir mesmo que indiretamente esse efeito, pois já que você não tem as condições para se auto-prover, então alguém (geralmente bem próximo) o fará, por exemplo, pai, mãe, cônjuge, etc. Por esse motivo, é nossa proposição imediata A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHA PARA 6 HORAS DIÁRIAS, 30 SEMANAIS, SEM DIMINUIÇÃO DE GANHOS.
É evidente que a luta de todo povo trabalhador, contra os patrões capitalistas, que usurpam as riquezas e minoram as energias de todos nós, não se resume somente a redução da jornada de trabalho, o objetivo final é a emancipação total destes, que somente pode advir com a retomada das riquezas e dos meios de produção que se encontram nas mãos tiranas da burguesia, e que de direito pertence a todos.